Art’Escama

Projeto Art'Escama

A Ilha da Pintada faz parte do bairro Arquipélago, em Porto Alegre, RS, e integra o Parque Estadual do Delta do Jacuí, composto por mais treze ilhas, cuja área territorial é constituída por áreas alagadas, banhada pelos rios Jacuí, Gravataí, Sinos, Caí e pelo lago Guaíba, e se estende pelos municípios de Canoas, Triunfo, Nova Santa Rita, Eldorado e Porto Alegre, de que a Ilha da Pintada faz parte. A origem da ocupação da Ilha data do século XVI, quando lá se instalaram alguns casais vindos das Ilhas dos Açores, e seus moradores, desde então, atuam nas ocupações tradicionais de seus colonizadores, como a pesca e o artesanato.

Segundo Gomes (1995), no início do século XIX eram as ilhas que abasteciam o centro da cidade com hortaliças, leite e peixes. Porém, a partir da década de 1970, a pesca, que era artesanal e abundante, foi se reduzindo cada vez mais, sendo pouco lucrativa hoje como alternativa econômica. Por tratar-se de região de preservação ambiental, foi interditada para a implementação de recursos básicos, como rede de abastecimento de água e saneamento. Somente em 2006, com a sua transformação em Área de Proteção Ambiental, foram permitidas ações de desenvolvimento sustentável para a região. Hoje, convivem no bairro do Arquipélago, do qual a Ilha faz parte, entre paisagens do rio, de rara beleza natural, grandes mansões que ocupam as suas águas e margens, que, “[..] com seus barcos de luxo contrastando com moradias precárias, ao mesmo tempo em que a maioria da população está em situação de pobreza e vulnerabilidade social” (CESPA, 2011, p.2). O seu índice de desenvolvimento humano é o sétimo bairro com IDH mais baixo de Porto Alegre, em um total de 96 bairros. E, o rendimento médio das mulheres responsáveis por domicílio, é de R$ 331,395, enquanto em Porto Alegre chega a R$ 691,043.

Para reverter esse quadro, as mulheres da Ilha da Pintada criaram, em 2000, através do Departamento COOPEIXE–Z5, em parceria com a AAAPIP (Associação dos Amigos, Artesãos e Pescadores da Ilha da Pintada), o Grupo ART’ ESCAMA, composto em sua maioria por esposas e filhas de pescadores, a partir da criação de uma unidade de produção de artesanato de flores feitas com escama de peixe. Aos poucos, foi ampliando as suas parcerias, que incluem o Instituto Cultural Português do RS, a Colônia de Pescadores Ernesto Alves Z5/COOPEIXE Z5, Ministério da Aquicultura e Pesca, SEBRAE/URBE, ONG Teia de Vida/SESI, ONG Moradia e Cidadania, Caixa Econômica Federal, CAMP (Centro de Educação Popular), EMATER, GERDAU,BB/DRS, Sindicato dos Artesãos, ELETROSUL, UNISOL BRASIL-Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários, Prefeitura Municipal/Governança local, Pottoff Prata, dentre outros. Em 2011, vinculou-se à Central de Empreendimentos de Economia Solidária (CESPA) , Dessa parceria, foram obtidos junto à Fundação Banco do Brasil os recursos para reforma de espaço coletivo, infraestrutura e qualificação da geração de trabalho e renda do empreendimento ART’ ESCAMA e demais pessoas da comunidade da Ilha da Pintada. O projeto incluiu a qualificação dos os processos de gestão, produção e comercialização dos produtos. Desse modo, o projeto intitulado “Cultura, Sustentabilidade Ambiental e Desenvolvimento Econômico – O Artesanato da Ilha da Pintada na Rota do Turismo” permitiu como o título o estabelece que o artesanato fosse incluído na rota de turismo local. (CESPA, 2001, p.4).

 

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